quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A maternidade em Margaret Blaarer!



Olá, pessoas!

     Dessa vez, demorei bastante a escrever novamente. Não tenho estado muito bem. E, às vezes, é até melhor não falar muito sobre o assunto "gravidez", para diminuir a ansiedade. Ao mesmo tempo, quando me dedico a escrever neste blog, começo a enxergar melhor a realidade e a minha confiança no Senhor se fortalece. Quando tenho que estudar para escrever, não apenas escrevo para os leitores, mas o meu próprio coração aprende e encontra conforto (não em minhas palavras, mas na Palavra do Senhor e na forma como o Senhor vai trabalhando em minha compreensão).

     Há um tempo, escrevi um texto aqui falando que desejava escrever algo sobre as leituras às quais tenho tido acesso nesse período da minha vida. Então, resolvi começar por um capítulo de um dos maravilhosos livros da biblioteca do meu esposo, Sam: Grandes Mulheres da Reforma. Você já teve a oportunidade de ler esse livro? Bem, eu ainda não o concluí (ao que parece, meu pai está certo quando diz que eu sou formada em Desistência. --' Mas, felizmente, eu não desisti desse livro! Devo terminá-lo essa semana!), porém, até o presente momento, estou profundamente tocada com o exemplo de vida de tantas mulheres que influenciaram tão marcante e docemente o movimento da Reforma Protestante.

     No capítulo II, a respeito da Reforma na Alemanha, um nome me chamou a atenção: Margaret Blaarer. Ela não é mencionada no livro como uma esposa (ao que parece, ela não se casou). Entretanto, há um motivo para eu tê-la escolhido dentre as tantas mulheres apresentadas neste livro. Sem entrar em minúcias a respeito do contexto, Margaret era irmã de Ambrose Blaarer, um reformador importante em Constança e Wittemberg. Haviam ali muitos ministros pregando o evangelho, em 1527. Mas as dificuldades eram grandes. O autor fala que secas, pragas e terremotos vieram um após o outro. E "Margaret foi a excelente auxiliadora do seu irmão Ambrose.". Margaret destacava-se por ser uma mulher intelectual e era muito honrada por homens importantes na época. Mas o que desejo destacar é o seu coração humilde e cheio de bondade, que fazia dela uma verdadeira mãe. E aqui, quero destacar alguns trechos do livro com você: "Margaret era incansável em fazer o bem. Ela ensinou muitas crianças pobres a ler. Muitas foram as viúvas e os orfãos que ela visitou em seu sofrimento. Enquanto o seu irmão Ambrose empunhou a espada espiritual, a Palavra de Deus, e o seu outro irmão Thomas empunhou a espada da autoridade civil como líder da Reforma no conselho da cidade, o seu trabalho foi um labor quieto e silencioso de amor que alcançou a todos. A primeira sociedade de mulheres para cuidar dos enfermos foi organizada por ela; e com isto ela tornou-se a fundadora da primeira sociedade de mulheres da Igreja Protestante." Quero partilhar também um trechinho de uma carta que o irmão dela, Ambrose, escreveu para o reformador Bullinger: "Margaret, a melhor das irmãs, se comporta como uma arqui-diaconisa de nossa igreja, expondo a sua própria vida ao perigo. Diariamente, ela visita as casas onde os enfermos da peste estão sendo cuidados. Ela acabou de tomar uma pequena menina, a qual já tem ajudado e apoiado durante dez anos, para morar em sua casa. Ore ao Senhor, eu lhe suplico, para que Ele não permita que ela, que é o nosso único conforto, seja arrancada de nós."

     Bem, Margaret morreu em 1541, aos 47 anos, no mesmo ano em que seu irmão escreveu esta carta. Mas ter acesso à sua história me trouxe tanta coisa, tantos pensamentos, tantas lições, tantas reflexões! Essa bagagem se reflete em compreender as dimensões da maternidade de uma forma que pouco falamos ou ouvimos falar. Graças a Deus, a maternidade com a qual Ele presenteou as mulheres não se resume à gravidez. Embora a gravidez deva ser desejada pelas mulheres cristãs verdadeiramente tementes a Deus, a maternidade não é apenas um fenômeno biológico, fisiológico. Cada vez mais, estou convicta de que a maternidade é uma característica que mais tem a ver com um estado de submissão ao senhorio de Cristo do que com as condições naturais de se gerar um filho. Há muitas que geram filhos, que são de um certo modo mães, mas não exercem a maternidade. Entretanto, há tantas outras que, ainda solteiras, exercem a maternidade abundantemente, sem impedimentos, sem reservas. Margaret traz pra mim um grande exemplo de mãe. Deus, em Sua soberania, não lhe concedeu um casamento (até onde eu sei) ou filhos de seu ventre. Entretanto, Deus deu a Margaret um coração de serva, cheio de bondade, capaz de submeter-se a situações de grande perigo para ajudar os aflitos. Porventura, mãe não é mesmo assim? Aquela que cuida desprendidamente, que ama e sofre em favor de seus filhos? Margaret era uma verdadeira pérola, de grande valor diante de Deus e das pessoas ao seu redor. Bucer, o reformador de Estrasburgo, referia-se a ela como "irmã" e "mãe", embora ele fosse mais velho que ela três anos. A maternidade estava viva em seu coração. Ela compreendia que toda a sua feminilidade, dada por Deus, deveria servir e abençoar as crianças, as viúvas, os orfãos, os servos de Deus que estavam ali, bem ao seu redor, enfrentando tantas doenças e necessidades.

     Penso sobre mim. Sobre nós e nossa compreensão contemporânea a respeito da vida. Queremos ser mães. Mas queremos ser mães à nossa maneira. Queremos ter filhos biológicos, de preferência uma menina, para enfeitarmos de muitos lacinhos e frufrus. Queremos que seja logo, pois não queremos ser avós dos nossos filhos. Queremos pra ontem. Queremos que sejam filhos saudáveis, e de preferência que sejam a nossa cara. Queremos. Queremos. Queremos. E não é errado desejar todas essas coisas. Entretanto, esse nosso modo de desejar as coisas, sempre conforme a nossa própria vontade, pode nos cegar para aquilo que Deus já colocou em nós. 

     Então, de que maneira, você e eu podemos exercer a nossa maternidade hoje? Existe algum jovem carente na sua rua, necessitado dos nossos conselhos maternais? É uma criança necessitada que visitou a nossa igreja que precisa do nosso cuidado de mãe? É um abrigo? Um orfanato? Um hospital? Uma reunião de adolescentes? Quem precisa do nosso cuidado de mãe, hoje? É um jovem seminarista? Uma jovem desgarrada? Um novo convertido? Deus nos fez maternais. Quanto mais nos submetemos ao Senhor, mais entendemos que o nosso serviço não se resume ao que gostamos, mas ao Reino de Deus em toda a sua plenitude. Existem outras formas de ser mãe. Você abrirá seu coração para a maternidade, como serva de Deus, e buscará nEle orientação para vivê-la plenamente, a partir de hoje? Ou ficará presa unicamente à sua própria vontade?

"Tornou Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos por amor de mim e por amor do evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs, FILHOS e campos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna." Mc. 10.30.

     Que a nossa esperança não se limite a esta vida! Que os nossos olhos vejam e o nosso coração se submeta em bondade ao Senhor que já nos tem dado todas as coisas! Que a bondade de Cristo produza em nós a maternidade além do que os olhos possam ver! Que acolhamos maternalmente em nosso coração, em nossas orações e em nossa vida prática tantos aflitos e necessitados, seguindo o exemplo de tantas santas mulheres, não apenas da Reforma Protestante, mas descritas na Palavra, que, submetidas em amor ao Senhor, foram mães de tantos servos de Deus e de tantos quantos Deus lhes concedeu como verdadeiros filhos de amor. Que Deus nos abençoe!

Soli Deo Gloria!

(imagem retirada do blog Mulheres Piedosas)