J. Stephen Yuille, em seu livro Uma Esperança Adiada - A Adocão e a Paternidade de Deus, usou esse termo para definir a sensação da excruciante dor da infertilidade: sim, é como bater, sem querer, num osso quebrado.
É difícil conviver com um coração quebrado. As pessoas ao redor não estão vendo. As pessoas não sabem que dói. Eu mesma esqueço que dói, até topar com o próximo comentário, esbarrar na quina de uma conversa despretensiosa ou magoar o quase curativo no próximo conselho repetido.
Dói. Dói muito. No entanto, por vezes, o problema é reduzido a quase nada, talvez por não ser um "osso quebrado" visível, talvez por falta de informação das pessoas. Diante de tantas soluções fáceis de serem ditas (e praticamente impossíveis de resolver o problema), eu mesma começo a me perguntar: Por que mesmo estou sentindo tudo isso? A minha dor tem algum sentido? Ter filhos é tão normal que chega a parecer banal. Por isso, não tê-los não chega a surpreender as pessoas, como um câncer ou o HIV, por exemplo. Parece até cruel da minha parte comparar a dor da infertilidade com uma doença grave. Afinal, o que tem de mais em não ter filhos? Por que sofrer tanto com isso? Parece fácil apresentar soluções simples para um problema que parece pequeno. Afinal, a infertilidade é um problema pequeno? Qual a importância dos filhos, para quem tem filhos? Será que eles não tem um valor (olhando por uma perspectiva reduzida) humano, social? E, sendo já grande essa dignidade, ainda que meramente humana, filhos não tem ainda maior valor na perspectiva bíblica, divina?
"E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, enchei a terra e sujeitai-a;" Gn. 1.28. O homem e a mulher, criados à imagem e semelhança de Deus, o Deus Altíssimo, receberam, ao serem criados, uma ordem de Deus: multiplicarem-se, encherem a terra, sujeitá-la. Uma vez, quando estava morando no Instituto Bíblico do Norte - IBN, o rev. Milton César pregou nesse texto e eu gravei uma importante lição após a mensagem: Deus nos mandou multiplicar e encher a terra, não porque ele queria o mundo cheio de gente, simplesmente, mas porque, por meio da multiplicação do homem, toda a terra estaria cheia da imagem e semelhança dEle, o Deus Vivo. Sabemos que o homem pecou e que agora, esta imagem está manchada pela terrível sombra do pecado em nós. Mas, por causa da riqueza da misericórdia de Deus, Cristo nos dá esperança em Sua vida, morte e ressurreição. O "multiplicai-vos" continua sendo uma forma escolhida por Deus para que a terra seja cheia da Sua glória. Então, em primeiro lugar, fomos criados para a glória de Deus, e gerar filhos, criar filhos para a glória de Deus faz parte da ordem que nos foi dada, como seres criados por Deus, para a Sua glória. É um mandato.
Em segundo lugar, "Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta." Sl. 128.3-5. A Palavra de Deus nos diz que os filhos são uma herança de Deus. Se há verdadeiro amor, verdadeiro temor em nosso coração, pelo Deus Vivo, devemos considerar que Sua herança dada a nós é de grande valor, de valor inestimável e deve ser ardentemente desejada por Seus filhos. A Bíblia associa os filhos à felicidade, neste salmo. Sim, é uma feliz herança, de valor imensurável, e deve ser apreciada por nós, almejada, valorizada, como um rico tesouro, como uma fonte de deleite, dada a nós pelo próprio Deus.
Em terceiro lugar, as Escrituras nos apresentam os filhos não apenas como um mandato ou como um deleite, mas também como pontes para as futuras gerações. Não viveremos para sempre nesta terra. Os nossos filhos viverão depois de nós, e terão filhos, que terão filhos, que levarão às futuras gerações, continuamente, a riqueza da graça e do amor de Deus. "O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez." Sl. 78.3-4. Sim, filhos são parte do mandato, são uma fonte de deleite e são pontes para o futuro, por meio das quais a Igreja do Senhor se manterá viva nas futuras gerações.
Eu poderia falar muito mais sobre o valor dos filhos para Deus, como, por exemplo, a forma como podemos viver em uma figura viva do amor de Deus por nós, seus filhos, e de como esses relacionamentos humanos (pais e filhos) revelam a grandeza do amor de Deus Pai por nós, entre tantos outros aspectos que a Bíblia ressalta na importância da criação de filhos para o nosso Deus. Mas acredito que estes três já sejam suficientes para mostrar que ter filhos não é uma coisa banal e que a infertilidade pode causar uma dor profundamente estonteante, porque faz o casal infértil se sentir incapaz de viver em família, de experimentar a riqueza desse deleite maravilhoso e único, não experimentado em nenhum outro relacionamento, a não ser na relação entre pais e filhos. Não poder gerar filhos gera incertezas, medos, tristezas e sensação de que não viveremos plenamente o evangelho, embora Cristo já tenha vencido por nós todas essas incertezas e já nos tenha garantido a Sua plenitude e graça.
De alguma maneira, foi bom eu ter me aberto com a igreja e com vocês sobre o nosso problema de infertilidade. Por outro lado, me deparo com um constante arrependimento de ter me exposto tanto, talvez na tentativa de me esvaziar da dor e encontrar algo, algum conselho ou alguma coisa que aliviasse a minha dor. Hoje eu sei que as pessoas, por maior amor que tenham, e por melhores que sejam suas intenções, não conseguem chegar no cerne da dor, e, querendo aliviá-la, acabam tentando minimizar uma dor que é grande, e que não pode ser minimizada só porque ter filhos parece comum. Ter filhos, embora seja algo frequente e acontece com a maioria dos casais, é sempre um milagre, e será sempre especial, sempre marcante, pois este mandato estava conosco na criação, nos é um deleite no presente e uma ponte para o futuro.
Se você é mãe ou pai, valorize a riqueza da maternidade/paternidade, dada a você pela graça divina. Não tente consolar seus amigos inférteis falando como se eles estivessem em vantagem por estarem sem filhos, por poderem aproveitar a vida a dois etc etc. Eles não estão em vantagem. E embora Deus possa abençoá-los ricamente sem filhos, Deus, por algum motivo, os está privando de gerar filhos. O melhor a fazer é orar por este casal, dar o seu amor e suporte e procurar sentir a dor desse casal. É como um osso quebrado. Se você está tentando ter filhos, assim como nós, eu sei como você se sente. A dor é mesmo excruciante. Que Deus nos ajude a suportar a dor da infertilidade, com grande esperança no porvir, onde Ele enxugará dos nossos olhos toda lágrima, e não haverá mais dor, nem tristeza, pois Ele será a nossa alegria, perpetuamente.
Em segundo lugar, "Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta." Sl. 128.3-5. A Palavra de Deus nos diz que os filhos são uma herança de Deus. Se há verdadeiro amor, verdadeiro temor em nosso coração, pelo Deus Vivo, devemos considerar que Sua herança dada a nós é de grande valor, de valor inestimável e deve ser ardentemente desejada por Seus filhos. A Bíblia associa os filhos à felicidade, neste salmo. Sim, é uma feliz herança, de valor imensurável, e deve ser apreciada por nós, almejada, valorizada, como um rico tesouro, como uma fonte de deleite, dada a nós pelo próprio Deus.
Em terceiro lugar, as Escrituras nos apresentam os filhos não apenas como um mandato ou como um deleite, mas também como pontes para as futuras gerações. Não viveremos para sempre nesta terra. Os nossos filhos viverão depois de nós, e terão filhos, que terão filhos, que levarão às futuras gerações, continuamente, a riqueza da graça e do amor de Deus. "O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez." Sl. 78.3-4. Sim, filhos são parte do mandato, são uma fonte de deleite e são pontes para o futuro, por meio das quais a Igreja do Senhor se manterá viva nas futuras gerações.
Eu poderia falar muito mais sobre o valor dos filhos para Deus, como, por exemplo, a forma como podemos viver em uma figura viva do amor de Deus por nós, seus filhos, e de como esses relacionamentos humanos (pais e filhos) revelam a grandeza do amor de Deus Pai por nós, entre tantos outros aspectos que a Bíblia ressalta na importância da criação de filhos para o nosso Deus. Mas acredito que estes três já sejam suficientes para mostrar que ter filhos não é uma coisa banal e que a infertilidade pode causar uma dor profundamente estonteante, porque faz o casal infértil se sentir incapaz de viver em família, de experimentar a riqueza desse deleite maravilhoso e único, não experimentado em nenhum outro relacionamento, a não ser na relação entre pais e filhos. Não poder gerar filhos gera incertezas, medos, tristezas e sensação de que não viveremos plenamente o evangelho, embora Cristo já tenha vencido por nós todas essas incertezas e já nos tenha garantido a Sua plenitude e graça.
De alguma maneira, foi bom eu ter me aberto com a igreja e com vocês sobre o nosso problema de infertilidade. Por outro lado, me deparo com um constante arrependimento de ter me exposto tanto, talvez na tentativa de me esvaziar da dor e encontrar algo, algum conselho ou alguma coisa que aliviasse a minha dor. Hoje eu sei que as pessoas, por maior amor que tenham, e por melhores que sejam suas intenções, não conseguem chegar no cerne da dor, e, querendo aliviá-la, acabam tentando minimizar uma dor que é grande, e que não pode ser minimizada só porque ter filhos parece comum. Ter filhos, embora seja algo frequente e acontece com a maioria dos casais, é sempre um milagre, e será sempre especial, sempre marcante, pois este mandato estava conosco na criação, nos é um deleite no presente e uma ponte para o futuro.
Se você é mãe ou pai, valorize a riqueza da maternidade/paternidade, dada a você pela graça divina. Não tente consolar seus amigos inférteis falando como se eles estivessem em vantagem por estarem sem filhos, por poderem aproveitar a vida a dois etc etc. Eles não estão em vantagem. E embora Deus possa abençoá-los ricamente sem filhos, Deus, por algum motivo, os está privando de gerar filhos. O melhor a fazer é orar por este casal, dar o seu amor e suporte e procurar sentir a dor desse casal. É como um osso quebrado. Se você está tentando ter filhos, assim como nós, eu sei como você se sente. A dor é mesmo excruciante. Que Deus nos ajude a suportar a dor da infertilidade, com grande esperança no porvir, onde Ele enxugará dos nossos olhos toda lágrima, e não haverá mais dor, nem tristeza, pois Ele será a nossa alegria, perpetuamente.
Soli Deo Gloria
